Liderança através dos tempos
Cilma Azevedo
A formação
de novos líderes como caminho para garantir a sustentabilidade
das organizações
Para garantir a sustentabilidade institucional de uma organização
é necessário que seu corpo diretor busque desenvolver
líderes aptos a sucederem a sua gestão. Segundo o
consultor Ram Charan, autor do livro O Líder Criador de Líderes,
cada empresa que queira se sobressair no futuro deve reconhecer
que a maior vantagem competitiva é um amplo banco de possíveis
lideranças. A partir daí, os líderes em todos
os níveis estariam alinhados às mudanças externas
e poderiam se adaptar à velocidade e à profundidade
dessas mudanças. Para isso, Charan aconselha a adoção
do Modelo de Aprendizagem – criado por ele. O modelo é
simples e consiste basicamente em praticar, dar feedback, corrigir
e praticar ainda mais a atividade desempenhada pelo futuro líder.
O grande desafio dos líderes é, então, identificar
pessoas que possuem o perfil para ocupar seus lugares no futuro
e criar estratégias para acompanhar e oferecer condições
para desenvolver esse talento.
Essas recomendações destinadas às empresas,
também devem ser consideradas pelas instituições
sociais ou comunitárias. Uma grande parcela das organizações
sociais possui um modelo de gestão baseado na instituição
personificada, focando suas ações, projetos desenvolvidos
e parcerias conquistadas no carisma de uma única pessoa ou
líder pioneiro. As instituições que seguem
esse padrão estão fadadas ao fracasso na ausência
provisória ou definitiva desse líder.
Então, o que se espera das organizações sociais
é a adoção de comportamentos, atitudes e práticas
que promovam a formação de equipes com a perspectiva
de desenvolver novos líderes. Herbert de Sousa, o Betinho,
criador do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas
(Ibase), e a ex-primeira dama do País e fundadora da organização
não governamental, Comunitas, Dª. Ruth Cardoso, são
exemplos brasileiros de líderes fortes, que desenvolveram
estratégias para estimular a formação de equipes
lideradas por profissionais capazes de dar continuidade aos trabalhos.
No último dia 7 de julho, no Encontro de Empreendedores
Sociais, promovido pela Embaixada da Suíça, em Brasília,
a Dra. Zilda Arns, apresentou a experiência de sucesso da
Pastoral da Criança, instituição criada por
ela. Na palestra ficou claro: o que garantiu esse resultado foi
a definição de foco de atuação e a sistematização
de metodologias utilizadas. Além disso, a Pastoral realizou
alianças com os setores público e privado. Durante
o evento, a Dra. Zilda relatou, como sendo estratégia institucional,
a importância da formação de líderes
competentes, que estão realizando a gestão da Pastoral
da Criança, e possibilitarão a sustentabilidade da
instituição.
As empresas podem e devem colaborar para difundir a estratégia
de criação de novos talentos e, com isso, fortalecer
o modelo de gestão das instituições socioambientais
e comunitárias. Recentemente, o Grupo CAIXA SEGUROS vivenciou
essa experiência ao estabelecer parceria com a Casa de Moisés
– orfanato situado em Águas Lindas de Goiás
(GO). A Companhia, presidida pelo Sr. Thierry Claudon, ajudou a
melhorar a qualidade de vida de 79 crianças atendidas na
instituição, com a construção de um
alojamento masculino. Claudon fez questão de que duas de
suas equipes – a Gerência de Engenharia e a Superintendência
de Comunicação Corporativa – acompanhassem a
obra de perto. Em visitas semanais, os engenheiros focavam no acompanhamento
técnico da construção a equipe de responsabilidade
social corporativa, conhecia o modelo de gestão da instituição
e estreitava os vínculos com a diretoria, voluntários
e crianças da Casa de Moisés.
O interessante é que, durante esse percurso, o Grupo CAIXA
SEGUROS ofereceu à Casa de Moisés a possibilidade
de elaborar seu planejamento estratégico. Para isso, a Companhia
disponibilizou a consultoria de um grande parceiro, a John Snow
Brasil Consultoria. O que mais chamou a atenção foi
que a presidente da instituição, conhecida como Dª
Vera, estava ávida por ter essa oportunidade, pois sentia
que não tinha um sucessor preparado para substituí-la.
Por meio do fortalecimento da gestão da instituição,
toda a diretoria e voluntários da Casa de Moisés passaram
a ter foco e plano de ação estratégico para
nortear as futuras atividades. Após vários encontros
no orfanato e a realização de grupos focais com crianças
e adolescentes moradoras do local, nota-se que o modelo de gestão
é altamente sustentável.
Por último, vale ressaltar que as empresas sentem mais segurança
em investir em instituições sociais e comunitárias
que apresentam os seguintes itens: a) gestão sustentável
e transparente na divulgação dos processos e resultados;
b) abertura para o aprendizado de novas ferramentas de gestão;
c) capacidade de sistematizar e colocar em prática a missão,
as metas, os valores, os objetivos institucionais e o plano de ação
estratégico envolvendo a diretoria, parceiros e o público
atendido; d) cumprimento dos compromissos legais; e) divulgação
dos relatórios financeiros e social para todos os públicos;
f) ampliação da rede de parceiros; g) compromisso
com a formação de líderes para garantir a perenidade
da instituição.
As Instituições Sociais têm de estar cientes
da importância de manter equipes preparadas para assumir o
comando de suas organizações. E isso só será
possível se cada uma delas criar estratégias para
desenvolver novos líderes. Dessa forma, o lucro será
de toda a sociedade, pois as futuras gerações terão
acesso a organizações cada vez mais sólidas
e sustentáveis e não precisarão temer a extinção
de instituições fundamentais para o desenvolvimento
social, econômico, ambiental e humano.