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Não basta gerenciar, tem que se saber aonde se quer chegar PDF Imprimir
Escrito por Miguel Fontes   
Qui, 16 de Julho de 2009 15:24


No mês de junho, foi realizada em Washington a 1ª. Conferência do Conselho Global de Empresas para a Promoção da Saúde Pública. Representantes do peso pesado do mundo corporativo estavam lá, como Levis Strauss, XMobil, Nike, Anglo American, Nokia, Microsoft, SSL-Internacional, entre outros. Um dos aspectos mais interessantes da conferência foi ver as reflexões sobre a relação do PIB mundial com questões diretamente relacionadas à responsabilidade social empresarial. Mesmo se tratando de uma conferência com foco em saúde pública, as questões levantadas pelos próprios empresários giravam em torno dos motivos corporativos e dos resultados mais amplos de se envolverem em causas sociais, principalmente em países em fase de desenvolvimento.



Três aspectos da conferência me chamaram a atenção: 1) os grandes empresários estão totalmente esclarecidos sobre a importância da responsabilidade social corporativa na sustentabilidade de suas empresas; 2) ainda pouquíssimos investimentos sociais corporativos são avaliados; e 3) diversos ciclos de gestão social estratégica têm sido incorporados por muitas empresas, sem necessariamente estas criarem institutos ou fundações corporativas para gerenciar suas ações sociais.


Em relação ao primeiro aspecto, em alguns momentos, parecia até estar em um encontro de líderes de organizações sociais. Expressões parecidas com “o importante é o fortalecimento comunitário para a sustentabilidade dos negócios” ou “os funcionários da empresa representam nosso principal patrimônio” foram repetidas por diversas empresas. Se isso é apenas encenação, eu não posso dizer, mas o que surpreende é que empresas líderes e seus executivos estão se utilizando de uma linguagem de desenvolvimento social, de forma irreversível. As empresas que não dominam e não aplicam esses conceitos, não conseguem mais atingir um papel de liderança no meio corporativo. Creio que isso seja um fenômeno importante desse início do século e devemos festejar (mesmo que seja apenas de uma forma cautelosa)! Logicamente, não foram somente as expressões “fáceis” que vigoraram durante o encontro. Muitas empresas apresentaram ações específicas, ferramentas e técnicas, inclusive de pesquisa de mercado social, para entender melhor as causas que devem abraçar e quais os investimentos mais adequados para retornos econômicos e sociais.


Uma das lacunas essenciais, no entanto, é a avaliação de impacto de seus investimentos. Apenas a Fundação Nike apresentou um modelo de impacto econômico de investimentos sociais privados direcionados à meninas em países em fase de desenvolvimento. Segundo o modelo apresentado, para cada um dólar investido nesses programas sociais, a geração de riqueza econômica (em base a renda familiar futura dessas meninas) é de 40 dólares. É interessante notar que esse tipo de approach também já está sendo utilizando com bastante sucesso no Brasil pelo SESI Departamento Nacional e pelo Grupo Caixa Seguros, demonstrando o retorno de seus investimentos sociais privados em intervenções comunitárias, como o Ação Global e Programa Jovem de Expressão.


Finalmente, ficou claro durante a conferência que empresas que colocam a responsabilidade social em seu DNA; ou seja, não criam uma fundação ou instituto corporativo separado, estão mais próximas da prática da responsabilidade social empresarial. Diversas estruturas organizacionais foram apresentadas para ilustrar as formas pelas quais a responsabilidade social empresarial pode ser gerenciada nessas empresas. Em alguns casos, um departamento, como de recursos humanos ou marketing, é o responsável. Em outros, há uma unidade desenvolvida para tratar somente dessas questões, tanto no âmbito interno quanto externo. Essas empresas se utilizam de ferramentas de gestão bem sucedidas no campo empresarial para planejar e aplicar seus investimentos sociais privados. Até Ciclos de PDCA (Plan, Do, Check, Act), ferramentas de marketing social, e outros modelos de identificação de causas sociais já fazem parte da realidade de muitas empresas. Em suma, o discurso bem estruturado parece que também está tendo reflexos nas práticas corporativas.


No entanto, uma lacuna importante continua a falta de “bússola” avaliativa. Não adianta saber o que se quer fazer apenas. Assim como durante a atuação em seus negócios, as empresas também precisam definir, com clareza, aonde querem chegar com suas ações sociais e quais transformações elas pretendem alcançar.

* Diretor da John Snow Brasil e PhD em Desenvolvimento de Alianças Público Privadas, Deptº de Saúde Internacional, Johns Hopkins University – SAIS.

 

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