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Por Lélia Chacon* Uma pesquisa do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas mostra que cada ano de estudo acumulado no currículo gera um salto médio de 15,07% no salário. O ponto de partida do estudo foi a constatação de que o brasileiro de 15 a 29 anos apresenta o nível mais alto de felicidade esperada em cinco anos entre jovens de 132 países pesquisados no levantamento Gallup World Poll, patrocinado pelo BID. A FGV fez parte do grupo de entidades latino americanas convidadas pelo banco a contextualizar os números apurados nos países, a partir de 150 mil entrevistas. Numa escala de 0 a 10, o índice de felicidade futura dos jovens brasileiros foi o campeão da amostra: 9,29.
Uma das características de ser jovem é mesmo esperar que o futuro seja melhor que o presente. A pesquisa da FGV tratou de investigar se havia outras bases para o otimismo. Um dos pontos foi a expansão do trabalho no período 2004 a 2008, com foco nas variáveis de mudanças de renda do jovem, entre elas o retorno dado pela escolaridade. A oferta educacional crescente é uma das razões do entusiasmo. Os jovens de baixa renda, com mais acesso à educação, começaram a colher frutos no mercado de trabalho.
O Brasil tem de fato conseguido ser provedor de mais ensino. De 2004 a 2008, milhares de jovens de baixa renda ingressaram em cursos superiores. O crescimento no período foi de 84% na classe C e 52% na classe D. Mas elevar a escolaridade não é o mesmo que prover educação, como exemplifica o episódio recente da minissaia em uma universidade particular paulista. O desafio maior continua a ser a educação integral. Não se trata de mais tempo na escola, mas de formação que beneficie o jovem nos diversos aspectos relacionados ao seu desenvolvimento. As medidas governamentais nessa direção demoram a deslanchar. A ação social privada pode ser mais ágil e seu resultado, compensador, como mostra uma avaliação recente da John Snow Brasil Consultoria, que examinou o impacto econômico do programa Jovem de Expressão, desenvolvido no Distrito Federal.
Com apoio privado, o programa oferece a jovens de baixa escolaridade oficinas artísticas, culturais e profissionalizantes, além de assistência psicológica. É um dos poucos a apresentar indicadores de resultados na maré de ações sociais que apenas alardeiam número de beneficiados: cada R$ 1 investido na ação gerou R$ 1,87 de riqueza, disse Miguel Barbosa Fontes, coordenador da pesquisa. Descontados fatores de perdas futuras como desemprego ou morte precoce, o retorno do programa à sociedade num prazo de 45 anos (vida produtiva do jovem) chega a R$ 318 mil.
A avaliação usou a metodologia da Escala de Comportamento de Paz, expressa em um questionário que conferiu o conhecimento e comportamento dos jovens com relação à violência. Cada resposta positiva agregou valor financeiro ao programa. Mais pontos na escala aumentam a chance de decisões produtivas e melhora na renda. A mudança comportamental, motivada pela educação que vai além da escolaridade, tem reflexos na economia e na qualidade de vida. É o valor do investimento social que interessa, mas de quebra também pode promover a imagem de quem investe.
O desafio continua a ser a educação integral. Não se trata de mais tempo na escola, mas de formação que beneficie o jovem nos diversos aspectos de seu desenvolvimento
*Lélia Chacon – Jornalista e editora do site e revista Onda Jovem, do Instituto Votorantim
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